Moçambique passa a contar com um novo dirigente à frente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), após a instituição ter sido colocada sob supervisão do Procurador-Geral da República há cerca de seis meses. O cargo de Diretor-Geral passa agora a ser desempenhado por Ilídio Miguel, nomeado oficialmente na última sexta-feira.
Miguel, um dos quadros seniores do Ministério do Interior, deixa a direção do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP), onde esteve desde Março, para reassumir funções no SERNIC — instituição que já havia liderado em 2017, logo após a extinção da antiga Polícia de Investigação Criminal. Ele sucede a Nelson Rego, responsável máximo do órgão desde 2021.
A escolha do novo Diretor-Geral ocorre no âmbito da reestruturação introduzida pela Lei n.º 5/2025, de 13 de Junho, que transferiu formalmente a tutela do SERNIC para a Procuradoria-Geral da República. A legislação estabelece que o Procurador-Geral deve propor ao Primeiro-Ministro os nomes para os cargos de Diretor-Geral e Diretor-Geral Adjunto, que podem ser magistrados, membros do Ministério Público ou quadros da própria instituição que reúnam os requisitos exigidos.
Conhecido pela sua experiência em matérias de segurança e investigação, Ilídio Miguel é apontado como figura próxima de José Pacheco, atual líder do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), com quem já trabalhou durante o período em que Pacheco dirigiu o Ministério do Interior. Ao longo da sua carreira, Miguel também desempenhou funções como Secretário Permanente no Ministério da Agricultura.
A nomeação surge dias depois de declarações do Ministro do Interior, Paulo Chachine, que voltou a reiterar a forte interdependência entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o SERNIC, afirmando que “não existe SERNIC sem PRM, nem PRM sem SERNIC”, sublinhando a importância da articulação entre investigação criminal e atividade policial.

