O movimento March and March anunciou que vai intensificar os protestos contra a imigração ilegal na África do Sul, na sequência da morte de um dos seus principais líderes, Andile Mvuyelwa Somgxada, assassinado na província de Gauteng.
Segundo a organização, as manifestações passarão a realizar-se todas as quintas-feiras, numa demonstração de continuidade da campanha liderada pelo movimento, que defende o reforço do combate à imigração irregular e às redes criminosas associadas.
Andile Mvuyelwa Somgxada, responsável pelo movimento na região de Greenfields, no município de Ekurhuleni, foi baleado à saída da sua residência no dia 4 de julho e acabou por morrer dias depois no hospital, confirmou o porta-voz nacional do grupo, Sandile Dube.
O dirigente descreveu Somgxada como um “patriota sul-africano, dedicado e defensor da paz”, acrescentando que o homicídio representa um duro golpe para a organização.
Movimento denuncia ameaças de morte
O March and March afirma que vários dos seus dirigentes têm recebido ameaças de morte em diferentes províncias sul-africanas.
Segundo Sandile Dube, líderes regionais em Tshwane, KwaZulu-Natal e Mpumalanga relataram intimidações após organizarem marchas contra a imigração ilegal.
A organização alega que essas ameaças estão ligadas a grupos criminosos envolvidos em extorsão, tráfico de pessoas e outras atividades ilícitas que, segundo o movimento, beneficiam da permanência de imigrantes indocumentados.
Apelo ao Governo
Face ao aumento das tensões, o March and March apelou às autoridades para reforçarem a proteção dos seus membros e conduzirem uma investigação rigorosa ao homicídio de Somgxada.
O movimento advertiu ainda que continuará a mobilizar manifestações em várias regiões do país, sobretudo em Gauteng, defendendo uma maior intervenção das forças de segurança no combate ao crime organizado.
Entretanto, o Governo sul-africano voltou a alertar que o combate à imigração ilegal é uma responsabilidade exclusiva do Estado.
A ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mamaloko Kubayi, pediu recentemente que grupos civis evitem realizar rusgas ou operações por conta própria contra alegados imigrantes ilegais.
Segundo dados divulgados pelas autoridades sul-africanas, mais de 350 pessoas foram detidas por envolvimento em atos de intimidação e violência durante os protestos anti-imigração. O Governo indica ainda que mais de 53 mil cidadãos estrangeiros já foram repatriados ou deportados, incluindo cerca de 1.400 moçambicanos.

