O Governo da África do Sul acusou o Gana e, em menor escala, a Nigéria de liderarem uma campanha de desinformação destinada a isolar diplomaticamente o país, utilizando como argumento os recentes episódios de violência e protestos relacionados com a imigração ilegal.
As declarações foram feitas na quarta-feira pelo porta-voz da Presidência sul-africana, Vincent Magwenya, durante uma conferência de imprensa em Pretória.
Segundo Magwenya, os dois países têm difundido informações falsas para criar a imagem de que a África do Sul se tornou um “Estado pária”, defendendo inclusivamente que o país deveria ser alvo de intervenção por tribunais internacionais.
“Mais preocupante tem sido a divulgação de informações falsas por parte de um representante diplomático de um país que se tornou central nesta campanha. Até mesmo trocas diplomáticas rotineiras foram deliberadamente deturpadas para criar a impressão de que a África do Sul está a ser isolada”, afirmou o porta-voz.
Questionado pelos jornalistas sobre se o Gana estaria efectivamente a propagar informações falsas sobre a África do Sul, Magwenya respondeu de forma categórica: “A resposta é sim”. Acrescentou ainda que Pretória já manifestou formalmente essas preocupações ao Alto-Comissário do Gana na África do Sul, Benjamin Quashie.
As declarações surgem numa altura em que vários países africanos criticam a resposta sul-africana à onda de ataques contra cidadãos estrangeiros, que levou à repatriação voluntária de milhares de pessoas, incluindo cidadãos do Gana, da Nigéria e de Moçambique.
O Governo sul-africano insiste que tem condenado publicamente todos os actos de violência e de vigilantismo contra estrangeiros, defendendo que o combate à imigração ilegal deve ser conduzido exclusivamente pelas autoridades e dentro dos limites da Constituição.
Apesar da crescente tensão diplomática, Pretória afirma que continua disponível para manter o diálogo com os seus parceiros africanos e rejeita a ideia de que o país esteja isolado no continente.

