Moçambique prepara-se para possíveis impactos de um episódio forte do fenómeno climático El Niño, que poderá atingir níveis de intensidade muito elevados durante a época 2026/27 e aumentar o risco de défice de precipitação e seca em várias regiões do país.
Projecções internacionais indicam uma elevada probabilidade de o fenómeno atingir intensidade muito forte entre Outubro e Dezembro de 2026. Uma actualização do Centro de Previsão Climática da NOAA, divulgada em Setembro, apontou ainda uma probabilidade de 75% de o episódio atingir a maior intensidade registada desde 1950 nesse período.
Para Moçambique, o cenário merece particular atenção devido à possível redução das chuvas. De acordo com informações associadas à previsão climática sazonal do INAM, existe a possibilidade de um défice significativo de precipitação entre Janeiro e Março de 2027, período em que os efeitos do fenómeno poderão agravar as condições de seca em determinadas zonas.
O impacto não deverá ser uniforme em todo o território. Entre as áreas identificadas como podendo enfrentar impactos severos estão vários distritos das províncias de Tete, Sofala, Manica, Inhambane e Gaza.
Em Tete, estão incluídos Changara, Marara, Magoé, Mutarara, Chiúta, Doa e Cahora Bassa. Em Sofala, a previsão abrange Caia, Chemba, Machanga, Muanza e Chibabava.
Na província de Manica, figuram Guro, Tambara e Macossa. Em Inhambane, os distritos apontados são Govuro, Mabote e Massinga, enquanto em Gaza estão incluídos Chibuto e Massingir.
Também foram identificadas zonas com possibilidade de impactos moderados. Entre elas estão Moamba e Magude, na província de Maputo; Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Guijá, Manjacaze e Chigubo, em Gaza; Jangamo, Panda e Funhalouro, em Inhambane; e Namuno, em Cabo Delgado.
Perante o risco, as autoridades de gestão de desastres estão a adoptar medidas de preparação antecipada para reduzir os possíveis efeitos da seca. Entre as acções previstas está a implementação dos Planos de Acções Antecipadas nos distritos identificados.
Uma das prioridades é garantir o acesso à água, através da reabilitação de furos destinados ao consumo humano. As autoridades recomendam igualmente a distribuição de sementes tolerantes à seca para apoiar os produtores perante possíveis condições desfavoráveis para a agricultura.
A protecção do gado também integra as medidas de preparação, com recomendações para assegurar água e pasto aos animais. As comunidades são ainda chamadas a utilizar racionalmente os recursos hídricos disponíveis.
A promoção da agricultura de conservação, a elaboração ou actualização dos Planos de Acções Antecipadas distritais e o reforço da coordenação entre as autoridades e parceiros de cooperação fazem igualmente parte da resposta prevista.
O INAM mantém a monitorização das condições climáticas e disponibiliza actualizações sazonais para apoiar a tomada de decisões nos sectores da agricultura, recursos hídricos e gestão de riscos.
O INGD iniciou igualmente, a 21 de Setembro, o processo de elaboração do Plano Nacional de Contingência para a época chuvosa e ciclónica 2026/27, tendo como um dos principais pressupostos a previsão climática sazonal e a avaliação dos possíveis impactos nas áreas da agricultura, hidrologia, saúde e outros sectores.
As autoridades recomendam que a população acompanhe regularmente os comunicados do INAM, do INGD e de outras entidades competentes, evitando basear decisões relacionadas com agricultura, água ou segurança apenas em previsões não oficiais.
Fonte: INAM / INGD / NOAA.

