Moçambique enfrenta uma crescente crise de combustível que já afecta várias regiões do país, marcada por longas filas nas bombas de abastecimento, limitação nas quantidades vendidas e incerteza quanto à reposição dos stocks.
Na cidade de Xai-Xai, capital da província de Gaza, a situação agravou-se desde terça-feira, quando apenas duas das doze bombas existentes continuavam a operar. A escassez levou à formação de filas extensas, com abastecimentos limitados a cerca de mil meticais por viatura, deixando muitos automobilistas sem combustível.
A falta do produto começa a afectar o funcionamento normal da economia local, com impactos directos no transporte, no comércio e na mobilidade de trabalhadores e doentes. Autoridades municipais alertam que a escassez pode provocar aumento de preços e agravar o custo de vida, sobretudo num contexto em que a região ainda enfrenta consequências das recentes inundações.
O problema também atinge vários distritos da província, incluindo Chongoene, Chókwè, Chibuto, Mandlakazi, Mapai e Massagena, onde os postos de abastecimento registam igualmente dificuldades para responder à procura.
Na cidade de Inhambane, motoristas relatam que muitas bombas estão sem gasolina, obrigando alguns condutores a deslocarem-se até à cidade de Maxixe para tentar abastecer. Operadores de transporte afirmam que chegam a percorrer dezenas de quilómetros em busca de combustível, o que aumenta os custos da actividade.
No centro do país, a situação repete-se na província de Manica, onde durante alguns dias apenas um posto de abastecimento esteve a funcionar na cidade capital. Nesses casos, os limites de venda chegaram a cerca de 500 meticais para viaturas e 100 meticais para motorizadas.
Já na província de Tete, a escassez dura há cerca de duas semanas. Em muitos postos, o combustível é distribuído de forma alternada, com diferentes bombas a abastecer em dias distintos, numa tentativa de gerir os reduzidos volumes disponíveis.
A situação também estimulou o surgimento do mercado paralelo, onde o combustível chega a ser vendido por cerca de 300 meticais por litro, valores muito acima do preço oficial.
A falta de combustível começa assim a ter efeitos em cadeia, pressionando os custos de transporte, encarecendo produtos e agravando o custo de vida da população. Até ao momento, não há explicações claras sobre as causas da escassez nem previsões oficiais sobre a normalização do abastecimento.
VEJA TAMBÉM:
Governo diz que regalias visam conferir dignidade a antigos Presidentes
Explosão de granada fere vários alunos na Escola Secundária Filipe Nyusi, na Manhiça
Governo admite crise de combustíveis e admite possível subida de preços

