O Terminal Interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo, está a registar uma situação de forte pressão humanitária, com milhares de cidadãos estrangeiros em trânsito a permanecerem ao relento em condições precárias, na sequência da atual vaga de xenofobia na região.
O cenário é marcado por malas espalhadas no chão, famílias inteiras a dormir ao ar livre e grupos de pessoas à espera de transporte para regressar aos seus países de origem, maioritariamente cidadãos malawianos em trânsito após saída da África do Sul.
Migrantes relatam fuga da violência e falta de condições
Alguns dos migrantes entrevistados no local relatam que abandonaram a África do Sul devido ao aumento da insegurança e dificuldades de sobrevivência.
Um dos cidadãos, identificado como Jafar Richard, afirmou que a situação no país vizinho se tornou insustentável e que regressa ao Malawi sem recursos financeiros para a viagem.
Outra migrante, Susan Betsa, defendeu a necessidade de apoio governamental para reintegração dos retornados, sublinhando que muitos pretendem reconstruir as suas vidas nos países de origem, caso existam condições mínimas.
Autoridades mobilizadas no terreno
A situação levou à mobilização de várias equipas, incluindo brigadas de saúde e do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que estão no terreno a prestar assistência aos migrantes.
Segundo a delegada do INGD na Cidade de Maputo, Esselina Muzima, cerca de 98% dos migrantes que chegam ao local estão documentados, apesar de terem sido afetados por situações de perseguição e violência.
As autoridades indicam ainda que está em curso um processo de encaminhamento das pessoas para a fronteira de Zóbué, com o objetivo de facilitar o regresso aos seus países de origem.
OIM acompanha situação pela primeira vez
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) também esteve presente no Terminal da Junta para avaliar a situação no terreno, numa intervenção considerada inicial no contexto da crise em curso.
A evolução do cenário continua a preocupar as autoridades, que enfrentam desafios logísticos para garantir condições mínimas de segurança, alimentação e transporte aos migrantes afetados.

