A morte de um homem durante uma operação policial em Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo, está a gerar forte indignação pública e reacendeu o debate sobre o uso da força pelas autoridades. O caso ocorreu na noite de sábado e está a ser investigado pela Polícia da República de Moçambique (PRM).
A vítima foi identificada como Narciso Sambo, conhecido por “Macovo”. Segundo a versão oficial da PRM, o homem era procurado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) por suspeitas de envolvimento em vários crimes, incluindo homicídios, roubos à mão armada, raptos e violação sexual. A corporação afirma que a operação foi desencadeada após uma denúncia popular com o objetivo de o localizar e deter.
No entanto, vídeos divulgados nas redes sociais mostram o momento em que o suspeito é baleado no interior de um estabelecimento comercial, enquanto já se encontrava cercado por vários agentes, alguns da Unidade de Intervenção Rápida (UIR). As imagens provocaram forte reação da opinião pública, levando organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos a exigirem uma investigação independente para apurar as circunstâncias da morte.
Perante a repercussão do caso, o Comando-Geral da PRM anunciou a abertura de um inquérito interno para esclarecer a atuação dos agentes envolvidos. A corporação assegurou que serão apuradas todas as responsabilidades e que serão tomadas as medidas legais caso sejam detetadas irregularidades na intervenção policial.
Entretanto, organizações da sociedade civil defendem que a investigação seja conduzida por entidades independentes, argumentando que a transparência será essencial para reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições de justiça e segurança. O caso continua a suscitar amplo debate em Moçambique sobre os limites do uso da força por parte das autoridades durante operações policiais.

