O preço do transporte público de passageiros poderá voltar a subir em várias cidades de Moçambique, numa altura em que os transportadores enfrentam fortes pressões devido ao aumento dos combustíveis e à escassez registada nas últimas semanas.
A possibilidade de um novo reajuste nas tarifas surge depois da subida significativa dos preços dos combustíveis anunciada pelo Governo no início de Maio. O gasóleo, principal combustível utilizado pelos transportadores semi-colectivos e autocarros, passou de 79,88 meticais para 116,25 meticais por litro, representando um aumento de cerca de 45,5 por cento. Já a gasolina subiu de 83,57 para 93,69 meticais por litro.
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) já havia alertado que a escassez de combustível e o agravamento dos custos operacionais estavam a colocar o sector sob enorme pressão, podendo influenciar directamente o custo do transporte urbano.
Embora o Governo tenha avançado anteriormente com um mecanismo de compensação financeira para evitar o aumento imediato das tarifas, os operadores afirmam que a situação continua insustentável em várias rotas urbanas e interprovinciais. O subsídio anunciado pelo Executivo prevê apoios que podem ultrapassar os 140 mil meticais para operadores devidamente registados.
Nos principais centros urbanos, como Maputo, Matola, Beira, Nampula e Chimoio, cresce o receio de uma nova subida do custo de vida caso os transportadores avancem com pedidos formais de revisão tarifária. O transporte público continua a ser um dos sectores mais afectados pelo agravamento dos combustíveis, devido ao elevado consumo diário de gasóleo.
O Banco de Moçambique também já alertou para o agravamento da inflação e do custo de vida nos próximos meses, apontando a subida dos combustíveis e a instabilidade internacional, sobretudo no Médio Oriente, como factores de risco para a economia nacional.
Analistas económicos consideram que, caso os preços internacionais do petróleo continuem elevados, o país poderá enfrentar novas revisões nos combustíveis, o que poderá desencadear pressão adicional sobre o transporte público e os preços de produtos essenciais.
Entretanto, o Governo admite que o cenário internacional continua instável e reconhece que Moçambique permanece vulnerável às oscilações do mercado internacional de petróleo.
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