O agravamento da onda de xenofobia na África do Sul está a gerar preocupação crescente em Moçambique, à medida que centenas de cidadãos regressam ao país após episódios de violência e ameaças dirigidas a estrangeiros.
Nas últimas semanas, protestos contra imigrantes intensificaram-se em várias cidades sul-africanas, resultando em confrontos, destruição de habitações e mortes. O Governo moçambicano confirmou que cidadãos nacionais foram afectados pelos ataques, tendo iniciado operações de assistência e repatriamento para os moçambicanos que decidiram regressar ao país.
Segundo informações oficiais, cerca de 300 moçambicanos já regressaram ao país por meios próprios, enquanto outros 500 deverão ser repatriados com apoio das autoridades. Estima-se que mais de 800 cidadãos moçambicanos tenham sido afectados pelos recentes episódios de violência registados em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental.
A situação surge numa altura em que a África do Sul intensificou o combate à imigração ilegal. Dados divulgados pelo Departamento de Assuntos Internos sul-africano indicam que mais de 57 mil estrangeiros foram deportados durante o último ano fiscal, incluindo milhares de cidadãos moçambicanos.
Especialistas alertam que o regresso em massa de trabalhadores migrantes poderá criar novos desafios económicos para Moçambique. Muitos dos repatriados dependiam de empregos nos sectores da construção civil, agricultura, mineração e comércio informal na África do Sul, sendo responsáveis pelo envio regular de remessas financeiras para as suas famílias.
A redução dessas remessas poderá afectar directamente milhares de agregados familiares, sobretudo nas províncias do sul do país, onde muitas famílias dependem do rendimento obtido por parentes que trabalham além-fronteira.
Além do impacto económico, o aumento do número de repatriados poderá pressionar o mercado de trabalho nacional, que já enfrenta dificuldades para absorver novos candidatos a emprego. Analistas defendem que o Governo deverá reforçar programas de geração de renda, empreendedorismo e formação profissional para facilitar a reintegração dos cidadãos regressados.
As autoridades moçambicanas acompanham a evolução da situação através dos canais diplomáticos, enquanto o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, condenou os actos de violência e apelou ao respeito pelos direitos dos estrangeiros residentes no país.
Com a tensão a manter-se elevada, cresce a preocupação sobre o futuro de milhares de moçambicanos que continuam a viver e trabalhar na África do Sul, país que permanece como um dos principais destinos da migração laboral moçambicana.
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