O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, lançou oficialmente, no sábado, um novo partido político denominado Kiray de Faye (Patriotas Republicanos), formalizando a ruptura política com o seu antigo aliado, Ousmane Sonko, líder do Pastef e actual presidente da Assembleia Nacional.
A criação da nova formação política representa um marco importante na política senegalesa e confirma o afastamento entre os dois dirigentes, que chegaram juntos ao poder nas eleições presidenciais de 2024, prometendo profundas reformas económicas e institucionais.
Divergências agravaram separação
As divergências entre Faye e Sonko intensificaram-se nos últimos meses, sobretudo em torno da gestão económica do país e das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), levando ao progressivo distanciamento entre ambos.
O ponto de ruptura aconteceu quando Bassirou Diomaye Faye exonerou Ousmane Sonko do cargo de primeiro-ministro no início deste ano, desencadeando uma crise política dentro do movimento que ambos ajudaram a construir.
Apesar da saída do Governo, o Pastef manteve a maioria parlamentar e Sonko foi posteriormente eleito presidente da Assembleia Nacional.
Entretanto, Ahmadou Al Aminou Lo assumiu o cargo de primeiro-ministro, liderando um Executivo formado sem representantes do Pastef, depois de o partido recusar integrar o novo Governo.
Novo partido atrai antigos aliados
O lançamento do Kiray de Faye já provocou movimentações significativas no panorama político senegalês.
Nas últimas semanas, vários membros do Pastef abandonaram o partido para aderirem ao novo projecto político do Presidente. O movimento recebeu igualmente dirigentes e militantes provenientes da Aliança para a República e de outras forças da oposição.
A adesão de figuras políticas de diferentes sectores reforça a estratégia de Faye de construir uma nova plataforma de apoio para consolidar a sua governação.
Desafios económicos marcaram o Governo
Durante a campanha eleitoral de 2024, Faye e Sonko prometeram combater a corrupção, criar emprego para a juventude e garantir que o Senegal beneficiasse de forma mais justa das receitas provenientes do petróleo, gás natural e recursos minerais.
No entanto, o Executivo enfrentou dificuldades económicas logo após assumir funções, sobretudo devido à descoberta de empréstimos públicos não declarados pela administração anterior, situação que agravou a pressão sobre as finanças do Estado e dificultou a implementação das principais promessas eleitorais.
Disputa política deverá intensificar-se
Analistas políticos consideram que a criação do Kiray de Faye marca o início de uma nova fase da política senegalesa.
A rivalidade entre Bassirou Diomaye Faye e Ousmane Sonko deverá dominar as eleições autárquicas previstas para 2027 e poderá culminar numa disputa directa pela Presidência da República nas eleições de 2029.

